O racismo estrutural é umas das três manifestações do racismo na sociedade.
Dentre todas, essa é a forma mais “disfarçada” das expressões, aquela construída por vários anos. É, portanto, um preconceito velado.
Essa rejeição pode ser dirigida, por exemplo, a uma cor ou etnia. É, sobretudo, cristalizada na sociedade. Algumas falas racistas podem até passar despercebidas pelo seu dia a dia em um diálogo, ou brincadeira.
Apesar disso, não se engane: essas são maneiras de normalizar a atitude criminosa.
O que é racismo estrutural
Antes de compreender o racismo estrutural, vamos entender o que é preconceito e discriminação.
O preconceito é, sobretudo, a sustentação de uma ideia sem que haja uma fundamentação, um conhecimento a respeito.
Ou seja, julgar sem saber o que está sendo dito.
A discriminação, por sua vez, é uma maneira de diferenciar as pessoas e, através dessa separação, tratar de forma específica.
Por exemplo: uma pessoa branca ser considerada melhor, merecer um tratamento mais brando e respeitoso.
O segundo ponto é que essa discriminação não se dirige apenas a cor ou a etnia. Ela pode ser de classe, religião, entre outras maneiras de segregar.
O racismo, sobretudo, é dirigido a cor da pele e a etnia.
Por causa dos dois fatores há o preconceito devido às origens e, por isso, ocorre a exclusão e a discriminação, embasadas através de construções históricas.
Tipos de racismo
Ainda dentro do conceito de racismo, há 3 tipos que podemos identificar: por crime de ódio, ou seja, racismo direto (1), racismo institucional (2) e racismo estrutural (3).
O primeiro é, basicamente, a maneira mais escrachada e violenta da prática racista. Aqui, pode haver ataque físico e verbal, sem a mínima preocupação com o ambiente ou com a reação da pessoa difamada. O agressor, por sua vez, escolhe suas vítimas de acordo com os seus preconceitos.
Essa maneira incisiva de praticar o racismo vai contra a integridade humana.
Hoje, segunda a lei nº 7.716, o crime de ódio já é visto como incitação ao preconceito e pode gerar punição ao praticante.
O segundo, sobretudo, não é muito óbvio.
A situação, por exemplo, dos protestos gerados nos EUA contra os policiais – que matam pessoas negras – é uma explicação para esse tipo de racismo.
Podemos ver também quando não há representação em determinados espaços, grupos.
O racismo estrutural é, por sua vez, ainda mais invisível e pode passar despercebido pela sociedade.
Essa forma é notada quando paramos para pensar o motivo pelo qual os negros não são a maioria nas universidades, mesmo compondo cerca de 15 milhões pessoas no Brasil.
Racismo na história
Podemos ver o racismo na história, de maneira mais marcada, no período de expansão marítima, pós Revolução Francesa.
Com as novas colonizações, principalmente americanas, o tráfico de escravos começaram a ser recorrentes.
Além dos negros, os indígenas também sofreram com o preconceito nessa época.
Para justificar a violência e a discriminação contra essas pessoas, os europeus começaram a sustentar a ideia de soberania racial.
Nessa ideia, os brancos estavam acima de todas as outras raças e etnias.
Como não haviam leis e, portanto, não era considerado crime, as manifestações racistas eram, com certeza, mais expostas.
Com a chegada da abolição da escravidão, no século XIX, tudo se tornou mais escondido, disfarçado, porém presente na sociedade.
O preconceito racial e étnico se tornou tão forte tivemos massacres inesquecíveis na história que hoje nos fazem lembrar a que ponto ultrapassamos os limites contra a vida humana.
O Holocausto, por exemplo, foi uma dessas tragédias.
Racismo no Brasil
O racismo no Brasil pode ser notado a partir do momento que identificamos todo o genocídio e etnocídio na história, desde o período da descoberta.
Mesmo após a abolição da escravidão e a Proclamação da República, não assumimos realmente esse posicionamento anti-preconceito.
Ao contrário de assumir o preconceito racial no país, assumimos termos como “mesticismo”, denotando o embranquecimento na população.
Esse conceito veio de origens europeias que, defendiam a existência de uma raça superior.
Hoje, sobretudo, enfrentamos ainda ataques a pessoas negras e indígenas através de discriminação e exclusão.
As lutas contra o racismo são contantes, já que 63,7% dos brasileiros ainda acreditam nos antigos ideais europeus sobre a soberania racial.
As favelas do são ocupadas por cerca de 70% de pessoas negras, as vezes até em situação de miséria.
Quando vemos os postos de poder dominados por uma maioria branca, tendo em vista as porcentagens de moradores negros nas comunidades, é impossível negar o racismo no Brasil.











